quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

esporte e confessionalidade

UNIVERSIDADE CONFESSIONAL

A confessionalidade
A confessionalidade refere-se à missão que a Mantenedora realiza através das instituições educacionais. A confessionalidade está pautada nos documentos, especialmente no Plano de Vida e Missão e no Diretrizes para a Educação. Desta forma, a confessionalidade deve levar em conta a forma como a Igreja Metodista lê a realidade e se orienta para cumprir sua missão.

Confessionalidade não é algo já “fechado”, mas sim algo dinâmico e em desenvolvimento, cujo principal motivador é o Reino de Deus. O prof. Clóvis Pinto de Castro compara a confessionalidade com uma casa grande que tem muitas janelas
[1], através das quais pode ser observada a confissão e a ação que é praticada nestas Instituições. Mesmo considerando sua extensão, a confessionalidade é o “rosto” da Igreja.

O eixo diferenciador
O eixo diferenciador para a educação na Igreja Metodista apontado nos Documentos da Igreja é a formação para o pleno exercício da cidadania. Os apelos que vêm do contexto onde estamos inseridos e os indicativos do Reino de Deus expressos em nossos documentos, nos fazem apontar a cidadania como um dos objetivos da nossa ação educacional.

Nesta sociedade em constante transformação e substituição de valores e de costumes, se faz necessário uma formação voltada para o serviço, mesmo que profissional, que valoriza a vida e que questiona os sistemas dominantes que geram mortes.

É importante que os alunos sejam formados com esta perspectiva de vida e de profissão, para que seus atos promovam os direitos humanos, a defesa da vida, a legitimação dos valores fundamentais para a sociedade, o exercício responsável dos direitos e dos deveres dos cidadãos e, de maneira confessional, promovam a cidadania, ou seja, o direito “à educação, à saúde, ao trabalho, à alimentação, ao lazer, à habitação, à liberdade de expressão, à participação nas decisões político-econômicas, à cultura”
[2], etc., valorizando a dignidade da pessoa humana.

A esportividade
Nesta linha da cidadania, está o esporte. As Escolas Metodistas inseriram em sua missão educacional a promoção da esportividade como um dos elementos necessários para a integração, socialização, valorização da vida, bem estar social e formação de valores tais como respeito, disciplina, superação, companheirismo e realização de objetivos.

Neste sentido, ao envolver alunos e alunas nas disputas esportivas a Universidade transmite este valores que permeiam sua missão e sua confessionalidade. Como diz o slogan, esporte é vida e a vida é a razão de ser da missão professada pela mantenedora da Universidade.

“Por ser uma instituição confessional, a Universidade assinala a espiritualidade em sua vivência. A espiritualidade está presente na vida humana. Independente de profissão de fé ou confissão religiosa, a espiritualidade se expressa na vivência da pessoa, seja através da arte, da música, da poesia, da luta política, do compromisso ético, do respeito, etc. A espiritualidade acentua a valorização da vida e promove os valores que fundamentam as relações entre as pessoas. Ela também humaniza estas relações e dá o tom para uma cultura de paz e de esperança”.
[3]

A espiritualidade
Pensando da esportividade e na espiritualidade, o salmo 133 se destaca. Ele convida à convivência. Vejamos:

O salmo 133 abre uma conversa muito importante sobre a convivência. Na verdade ele convida o povo a “sentar junto” para conversar, trocar experiências e tratar das questões da vida. O salmista, autor deste salmo, destaca que o ato de sentar junto é uma benção de Deus para seu povo. Ele se faz presente quando isto acontece.

O salmo inicia com a expressão OH! Quando esta expressão aparece nos textos sagrados é prenúncio de algo muito importante que vai ser dito na seqüência. Neste caso, o destaque está no verbo habitar ou sentar junto.

O salmo nos diz para “sentarmos juntos”. Esta é uma boa tradução para o versículo 1, ou seja, habitar ou sentar-se junto (Bíblia de Jerusalém). Na verdade, esta expressão é o tema central do salmo. Sentar junto é viver e conviver. Indica o diálogo, a troca de informações e de experiências. Assinala o companheirismo e o apoio mútuo entre as pessoas que se sentam juntas.

Isto pode acontecer nos diversos ambientes:

1. No ambiente familiar - sentar à mesa para a refeição era algo extremamente importante para a família e a nação. No momento da refeição a família conversava, trocava idéias, etc. Era um momento sagrado.

2. No ambiente do povo - por ocasião das festas e das cerimônias, tais como casamento, nascimento, bodas, aniversário e outras datas comemorativas e que mobilizavam as pessoas para estarem juntas. Nestas ocasiões os festejos marcavam a vida das pessoas.

3. No ambiente de uma assembléia do povo – nestes momentos em que o povo se reunia para discutir as questões da vida e para decidir que rumo tomar. Nestas ocasiões discutiam-se os problemas comuns e buscava-se a orientação de Deus para os mesmos.

4. No ambiente do culto. Para falar da benção do culto e da celebração cúltica o salmista usa duas parábolas: o óleo que penetra na barba de Arão que, simbolicamente, indica força, saúde, paz e alegria e o orvalho que cai sobre o monte de Sião, que indica revitalização, renovação e, portanto, a benção de Deus.

5. No ambiente do esporte. A prática esportiva requer convivência e companheirismo. A superação das dificuldades e a realização dos objetivos requerem o empenho de todos os atletas e a convivência é fator de integração, amizade e fraternidade.

A convivência à luz do salmo 133
A convivência que o salmo propõe indica que o povo pode se fortalecer para enfrentar as lutas da vida. O sentar junto é como uma arma que não machuca e que não agride, mas que promove a tolerância, a fraternidade e, desta forma, derruba os muros e vence os obstáculos. Nas palavras do salmista, nada poderia vencer o povo se houvesse esta união.

A convivência deste ponto de vista é uma benção de Deus. O “sentar junto” era fundamental para a existência e sobrevivência do povo. Este convite é dirigido a nós hoje, seja para a convivência com nossa família ou com nossos colegas de trabalho e, ao sentarmos juntos, contaremos com a benção de Deus. A benção de Deus é a “vida para sempre” (Sl 133.3). Nos versos do rev. Isnard Rocha assim se expressou o salmista: “ali a benção e a vida de Deus pra sempre estarão”.


Bispo Josué Adam Lazier
Pastoral Universitária da UNIMEP





[1] Castro, Clóvis Pinto de, A Confessionalidade e a Dimensão Pública de nossas Instituições, em Revista do COGEIME n.º 12, 1998, pg. 96.
[2] Sampaio, Jorge Hamilton, Educação, Cidadania e Confessionalidade, em Revista do COGEIME n.º 8, 1996, pg. 99.
[3] Pastoral Universitária, Plano de Ação 2007-2010, Piracicaba, 2007.

Ênfases do Plano de Ação 2008-2009

A Conapeu - Coordenação Nacional das Pastorais Escolares e Universitárias, propôs e teve aprovadas pelo Colégio Epicopal da Igreja Metodista quinze ênfases/ações.
São elas:
1.Trabalhar por uma maior integração entre as pastorais;

2.Repensar a atuação da CONAPEU junto à atual estrutura do COGEIME;

3.Esclarecer melhor o que o Colégio Episcopal espera da CONAPEU;

4.Debater e aprofundar a questão da Confessionalidade metodista em nossas Universidades, Centros Universitários e Colégios;

5.Promover a Identidade Metodista junto aos funcionários e professores;

6.Preparar o Encontro Geral para 2008 das Pastorais juntamente com o Fórum de Ensino Religioso. Dias 26 a 28 de junho de 2008

7.Divulgação das Pastorais Escolares e Universitárias nos encontros e congressos nacionais;

8.Participar na organização dos encontros de jovens universitários metodistas

9.Incentivar a criação de Associação de ex-alunos das Instituições Metodistas de Educação;

10.Desenvolver uma pastoral com os jovens metodistas dentro de nossas instituições visando prepará-los para serem agentes de transformações:

11.Criar um Blog para a CONAPEU;

12.Criar um boletim informativo da CONAPEU:

13.Participação nos encontros da CONET / ENEM/ Congresso Nacional da Escola Dominical/ CONEC/ etc;

14.Promover o Credo Social considerando que em 2008 ele completa 100 anos;

15.Definir na Assembléia no Bennet (2008) sugestão de “Tema Único” para trabalharmos em todas as pastorais a partir de 2009.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Espiritualidade ilustrada

Se há alguma possibilidade de, na prática diária, buscar a aproximação necessária entre ciência e fé, esta acontece nas Pastorais Escolares e Universitárias. É interessante observar como o conhecimento nunca é neutro, nem isento de ideologia e agendas. Mesmo quem não se considera confessional, tem em si uma confessionalidade que lhe dirige o rumo intelectual, acadêmico, científico, político e por aí afora. Se a confessionalidade é a aparência exterior dos valores essenciais da fé, e se fé é um evento presente em toda a humanidade indistintamente, então todos são confessionais.
O ensino sempre será confessional, e talvez toda educação seja mesmo confessional. Daí, educação-confessional é um substantivo composto. Se na fé a possibilidade da dúvida tem sem lugar garantido, pois sempre haverá dúvida na fé, então a metodologia científica da dúvida sistemática não tem o abismal hiato em relação à fé. Duvido, por isso creio. Duvido, por isso pesquiso.
É herança nossa saber que razão e fé são parte integrante da vida humana de experiência transcendente com Deus. É melhor ainda compreender que há uma opção clara por um lado, uma tendência, uma metodologia, sem medo de ser controverso, mau entendido ou criticado por essa escolha. Ao ser uma instituição de uma Igreja, a escolha deve estar muito clara, o viés, a aproximação, a metodologia, a diretriz que afirma a identidade é visível. As sutilezas e características próprias sempre vão saltar aos olhos dos desavisados ou defensores de outras confessionalidades. Que façam as escolhas, pois a nossa está feita.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Pastorais na educação metodista

O trabalho desenvovido nas instituições metodista de ensino pelas Pastorais Escolares e Universitárias tem dimensões abragentes. Destacam-se as áreas da cuidado pastoral, da ação profética e do serviço sacerdotal na convivência diária da espiritualidade na academia. São possibilidades de unir fé e razão num processo que pode oferecer mais a um mundo carente de solidariedade.
É quando o ensino é sensibilizado para a vida, para seres humanos reais, em sua maioria excluídos dos frutos do conhecimento. A sensibilização do conhecimento para a vida não despreza sua viabilidade técnia e profissional, muito mais que isso, vai além dos compromissos do egoísmo de se pensar como único objeto e beneficiado do conhecimento. é uma ação que olha e enxerga que a vida se faz com todos, não apenas com quem detém a capacidade de acesso aos produtos. "O sol nasce sobre justos e injustos" proclama a sabedoria bíblica.
As Pastorais nas universidades, faculdades e escolas metodistas existe para desafiar a academia a pensar a educação na perspectiva do amor de Deus revelado em Jesus Cristo. Existe também para despertar a espiritualidade que aproxima de Deus, reconhece o amor e por isso escolhe uma vida diferente.